16/09/200914:09h
O S I L Ê N C I O de D E U S

[O Silêncio dos sentidos - Deus escondido]
cfr. D:\MeusAln2\OSilêncio de Deus

"Não há nada no intelecto que não tenha primeiro passado pelos sentidos". (Aristóteles)
Mas Deus não entra por nenhum de nossos sentidos para chegar à mente ou ao coração.
Deus está absolutamente além deste processo de conhecimento.

"Se eu soubesse explicar Deus, ou eu seria Deus ou Deus o não seria mais". (Epiteto)

"Por mais alto que forem os vôos do pensamento, Deus está ainda para além.
Se compreendeste não é Deus;
se pudeste compreender, compreendeste não Deus, mas apenas uma representação de
Deus.
Se pudeste quase compreender, então foste enganado pela tua reflexão".(S. Agostinho)

Portanto, não é possível fazermos uma abordagem de aproximação intelectual de Deus.
Para o intelecto Deus é a mais densa "treva".
" e Moisés se aproximou da nuvem escura, onde Deus estava" [Ex. 20, 21]

A tragédia do homem são essas "trevas " em que ele entra ao querer aproximar-se de Deus. E apesar de seus gritos e clamores, Deus permanece no mais profundo silêncio.
O próprio salmista clama a Deus :
"...mas escondestes tua face e eu fiquei perturbado.
a Ti Iahweh, eu gritava, a meu Deus supliquei:
Ouve, Iahweh, tem piedade de mim! Sê meu socorro, Iahweh!" (Sl 30(29) 8-11)

O Salmo27(26) 8 dá uma orientação muito freqüente nos salmos :
"Meu coração diz a teu respeito:
"Procura a sua face" É a tua face, Iahweh, que eu procuro,
não me escondas a tua face.
O Salmo 42(41), talvez tenha os gritos mais profundos do salmista. Não são os gritos de um
ateu ou de um desesperado. São os lamentos confiantes da alma sedenta. que busca e
procura. "Onde está o teu Deus ?
Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo...[42, 3]
Vou dizer a Deus, meu rochedo por que me esqueces?"[42, 10]
Mas a resposta sensível de Deus não vem; Ele continua em silêncio. Então o salmista não se
contém mais, e desabafa : " o nosso Deus vem, e não vai ficar calado"[50,3]
Deus é Aquele que sempre se cala! Depois de uma luta vencida Ele não vem nos dar os
parabéns.
Se depois de uma luta intensa e prolongada fraquejamos, Ele não vem repreender-nos!
Se alguém na vida religiosa, se for lentamente esvaziando, ou até acabar saindo da Vida
Religiosa , Ele não vem protestar!.

Silêncio 02

Deus continua em silêncio, continua sendo o "Deus escondido".
Diante deste silêncio exclama São João da Cruz :
"Aonde te escondeste, meu amado, deixando-me em gemido?" E ele ainda explica :
"Deus permanece sempre escondido para alma. É conveniente, então, que ela O tenha sempre como escondido...e O busque, sempre escondido". [Cântico espiritual, canção 1,3] .
O profeta Daniel também nos lembra : " vamos temer-te e procurar a tua face".
[Dan. 3,41]

O próprio Cristo vive o drama do silêncio do Pai, justamente nos momentos decisivos de sua
vida. No Jardim das oliveiras, Ele sofre e reza :
[Mc 14, 32-36] :32 E foram a um lugar cujo nome é Getsêmani. E disse a seus discípulos:
"Sentai-vos aqui enquanto eu vou orar. 33E levando consigo Pedro, Tiago e João, começou
a apavorar-se e a angustiar-se. 34 E disse-lhes: "A minha alma está triste até a morte.
Permanecei aqui e vigiai." 35 E, indo um pouco adiante, caiu por terra, e orava para que, se
possível, passasse dele a hora. 36 E dizia: "Abba! Ó Pai! A ti tudo é possível: afasta de mim este cálice; porém, não o que eu quero, mas o que tu queres."
E nenhuma resposta veio do pai! O drama se desenrola até o desfecho na cruz!
E mais uma vez a oração de clamor, na angústia da morte próxima se faz ouvir :"Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? [Mc 15,34]
Nesta mais densa "noite dos sentidos", escura, e diante do silêncio mais total do pai, o
desenlace final chega. A morte chega!
E a mais impressionante resposta ecoa n alto da cruz :
"Pai nas tuas mãos entrego o meu espírito" [Lc.23,46]
Nesta noite escura da alma, diante do mais completo silêncio de Deus só uma atitude, aparen-
temente sem lógica, é possível : o salto no escuro. É o salto da fé! O abandono confiante
e filial, nas mãos de Deus.
Este silêncio de Deus, muitas vezes, vai minando as energias de pessoas que parecem pie
dosas. Em vez de se abandonarem nas mãos de Deus, abandonam a Deus, abandonando
a vida de Oração.
O filósofo existencialista, Miguel Unamuno, diz: "Deus é aquele que cala desde o princípio do
mundo. Eis o fulcro da tragédia universal: Deus se cala".
Henri de Lubac, diz: "Por que sempre a alma, quando encontrou Deus, conserva ou volta a
encontrar o sentido de não tê-lo encontrado? Por que esta incrível escuridão d' Aquele
que é todo luz? Por que esta distância impenetrável daquele que tudo penetra? Por
que essa traição de todas as coisas que, nem bem nos deixam ver a Deus, logo no-lo ocul-
tam outra vez?"("Pelos caminhos de Deus").
O próprio "re-velar" é o esconder-se de Deus! Ele não responde:
"Clamo por ti, e não me respondes; insisto, e não te importas comigo" [Jó 30,20]
O salmista compara este silêncio de Deus ao dormir de Deus. [Sl 44]
24 "Desperta! porque dormes Senhor? Acorda! Não nos rejeites até o fim!
25 Porque me escondes a tua face, esquecendo nossa opressão e miséria?
27 Levanta-te socorre-nos".

 

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